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Quase 10 anos depois: o que aprendi construindo um núcleo de educação em gastroenterologia do Brasil

  • Foto do escritor: Tomas Navarro
    Tomas Navarro
  • há 3 dias
  • 3 min de leitura

Em 2016, eu tinha uma pergunta que não saía da cabeça: Por que é tão difícil para um médico se manter atualizado em gastroenterologia?


Não faltava ciência. Não faltavam publicações. O que faltava era uma ponte — entre o que a pesquisa descobria e o que chegava ao consultório. Entre o que o especialista sabia e o que o profissional de outras áreas conseguia acessar. Entre a teoria das diretrizes e a prática de quem atende 30 pacientes por dia.


Foi dessa pergunta que nasceu a Nagastro.


O que ninguém te conta sobre construir algo do zero.


Quando fundei a Nagastro, eu era professor de pós-graduação na FMUSP, chefe do Grupo de Esôfago e Motilidade Digestiva do HC-FMUSP e havia passado anos dentro da indústria farmacêutica. Conhecia os três lados: a academia, a clínica e o mercado. E foi exatamente essa visão de três lados que me mostrou o problema com clareza. A academia produzia conhecimento de ponta — mas em linguagem inacessível para quem não estava dentro da universidade. A indústria levava informação ao médico — mas com um viés natural de produto. E o profissional que estava no consultório ficava no meio, tentando filtrar tudo isso com o tempo que não tinha.


A Nagastro nasceu para resolver esse problema. Não como mais um curso online. Como um núcleo — um ecossistema de educação médica contínua, rigorosa e aplicável.


Quase uma década. O que mudou — e o que não mudou.


Em quase 10 anos, muita coisa evoluiu. A ciência da gastroenterologia avançou de forma impressionante. O microbioma passou de curiosidade científica a campo central da medicina. A Doença Inflamatória Intestinal ganhou novas classes terapêuticas que mudaram o prognóstico dos pacientes. A esteatose hepática foi renomeada, reclassificada e colocada no centro do debate metabólico global. O eixo intestino-cérebro deixou de ser teoria e virou protocolo clínico.


E a Nagastro cresceu junto com tudo isso: hoje somos uma comunidade de mais de 10.000 profissionais — médicos, nutricionistas, enfermeiros, fisioterapeutas e tantos outros que entenderam que a gastroenterologia não é uma especialidade isolada. É uma especialidade que atravessa todas as outras. Mas, o que não mudou é o mais importante: a convicção de que o profissional bem informado entrega cuidado melhor. Sempre.


O que estamos construindo para os próximos 10 anos.


Estamos chegando a uma marca que, quando comecei, parecia distante — e que hoje sinto como um ponto de partida, não de chegada.


Nos próximos anos, a Nagastro vai continuar expandindo seus cursos presenciais e online, aprofundando parcerias com a indústria farmacêutica que acredita em educação médica como estratégia de longo prazo, e fortalecendo a comunidade que já prova, todo dia, que aprender em conjunto é mais poderoso do que aprender sozinho. Mas acima de tudo, vamos continuar fazendo a pergunta que nos fundou: o que ainda falta para que o profissional de saúde tenha o conhecimento que o paciente merece?


Enquanto essa pergunta tiver resposta — e ela sempre terá — a Nagastro vai existir para respondê-la.


Uma palavra para quem faz parte dessa história.


Se você é um dos mais de 10.000 profissionais que já passou pela Nagastro de alguma forma — seja num curso, num evento, numa aula, num episódio do Gastrocast ou simplesmente acompanhando nosso conteúdo — Muito Obrigado! Você é o motivo pelo qual essa pergunta ainda vale a pena ser feita.


Estamos chegando aos 10 anos. E o melhor ainda está por vir!

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